Duda Lobo - Fluxo de Consciência
O
tempo tá passando. Claro que tá, ele nunca para. Qual o problema de escrever tá
em vez de está? Em vez em vez de ao invés? Disperso o olhar. E se
eu não conseguir? No final sempre sai alguma coisa. Não faz o menor sentido
essas pausas pra esperar o pensamento. Pra ou para? Acho que nem da pra fazer isso de não
pensar. Dizem que quando se medita a cabeça fica vazia. Duvido. Tomara que
ninguém entre agora. Será que toda música que da vontade de chorar revela um
pouco das feridas abertas? Eles dizem que música triste deprime. E daí? Porque as pessoas têm tanto medo de mostrar que estão tristes? Eu, inclusive. Quem tá
atento percebe? Passo desapercebida. Entraram no
quarto. Tomara que fique em silêncio. Um homem não me define, minha casa não
me define, minha carne não me define, eu sou meu próprio lar… essa música.
Essa música. Um homem não me define, minha casa não me define, minha carne
não me define, eu sou meu próprio lar… refrão de música deve existir pra gente
memorizar e não esquecer. Não penso em
nada. Que angustia! Não sinto nada. Não devia ter ligado a música, tô prestando
mais atenção nela. Tô ou estou? Vou passar essa. Essa outra é animada demais. Essa
é boa. Tô esperando. Tô ou estou? Seus olhos riam pra mim, riam pra me
mostrar...desejo o que não vivi...quero parar esse texto, quero escrever
outro. Quero outro do meu jeito. Isso aqui tá uma bagunça. Tá ou está? Se fosse
no papel já teria amassado e jogado fora. Desaprendi a escrever no papel. Que
tristeza! Seus olhos riam pra mim, seus olhos riam pra me mostrar...desejo o
que não vivi...ler Antígona...será que agora vou ter que abandonar? O que
significa abandono? Pode parar de escrever pra procurar significado no
dicionário? Melhor não. Esvaziou me pensamento de novo. Na verdade, não
esvaziou, ficou cheio, porém, de vazio. De vazio nós somos cheios mesmo. Todo mundo.
Ter esse espaço é legal porque da pra preencher sempre com algo novo. Pra ou
para? Eu nem vi, quando você acordou as cortinas, descobriu meu quintal… adoro
essa. Nem vi você chegar, foi como ser feliz de novo.
Preciso fazer as unhas. Preciso ler Aristóteles, São Tomás de Aquino e
Platão… Bendito seja Deus que semeou a vida, dessa florzinha,
dessa florzinha, que é flor de laranjeira amor… até quando vou resistir? Será
que a gente sabe a hora de finalizar, igual a gente faz com os textos? Existe fim?
Ou tudo acaba sem acabar? Queria procurar significado de fim no dicionário, mas
acho que não pode. Quando o vento passar, quem ficará? Em todos os lugares,
todos ares, todos os caminhos… está nos meus planos, mas não sei se está
no meu destino, vou anotar isso pra lembrar caso dê errado. Nada dá errado. Só não
acontece. E não acontecer não é dar errado. Outra vez o amor venceu, vá por
nós, espalhar sua luz por outras estradas. Quando a distância pesar, vou saber
mais quem sou eu… ter o meu coração em duas jornadas. Música triste
deprime mesmo. Mas qual o problema? Vou encher de amor.
Duda, isto é um fluxo de pensamento lindo de viver...eu achei!!!
ResponderExcluirE está todo pontuadinho... :) e as músicas, que permeiam o texto, as dúvidas de linguagem...na minha humilde opinião deram a idéia de fluxo.
Beijos.
Ana Trindade