ISABELA IESSI - SETEMBRO/2020 (Crônica da infância)
UM CATADO DE UMA PARTICIPAÇÃO ÍNFIMA Revisitando memórias, enquanto criança, não me lembro dela. Demorei para perceber que sua participação foi ínfima durante meu crescimento. Isso explica suas inúmeras tentativas de aproximação? Não sei. Difícil não cobrá-la por isso. Não lembro da sua voz. Era doce ou grosseira? Tinha resquícios dos maços de cigarro que fumava? Me esqueci ou quase não se dirigia a mim? Tentava? Apesar da solidão costumeira, esperava ansiosamente que me deixasse com a faxineira. Assim, eu tinha a liberdade de escalar o portão construído pelo papai no quintal. Este, tentava me separar da minha grande paixão. A Paquita, era nossa cachorra, uma pastor belga, que supria a falta que eu sentia de uma mãe. Encontrava refúgio em sua casinha. Entre cheiro de urina, fezes e chumaços de pêlos pretos, que eram a causa da minha bronquite, permanecíamos horas conversando sobre meus tantos amigos imaginários. Ela, atenta, me ouvia. Algo que eu almejo que o façam até hoje. Quando che...