Ana Trindade Julho 2020 ( Texto com Micro Contos )
Como era engraçada a vida, pensava ela, enquanto observava o
glorioso teto da capelinha em que havia se casado havia mais de 35 anos. Uma
cerimonia simples , porém encantadora. Com poucos e queridos amigos e os
familiares mais próximos.
O que fazia ali? Ela mesmo se
perguntava. Hoje não possuía mais nenhum tipo de crença. Mas permanecia
ajoelhada implorando perdão, ao mesmo tempo em que agradecia, nem sabia a quem
pela vida que pulsava.
Este fora seu primeiro destino após a saída do hospital.
Alguns dias antes, estavam ela e o marido, sentados solitários na imensa mesa
da sala de jantar. Os quatro filhos, já casados e com seus próprios filhos
apareciam raramente. Secamente, Antonio a encara e diz:
- Tereza, vou pedir o divórcio.
Uma dor dilacerante invade seu peito. Uma punhalada, poderia dizer. Foi o que
sentiu.
- Antonio. Me ajude. Estou infartando.
Eram essas suas últimas lembranças.
Abriu os olhos e estranhou o teto branco com luzes
florescentes acessas. Quando se deu conta, percebeu que encontrava num quaro de
hospital. Sentado na poltrona de plástico azul, olhou Antonio que dormia com a
cabeça pendente para o lado.
- Antonio , Antonio...chamou ela, quase que sussurrando.
- Acordou meu amor?
- Ainda não querido. Estou esperando que você traga aquele café quentinho na
cama, que somente você sabe fazer.
Pensou com a cabeça
Sentiu com o coração
- Infarto Doutor.
- Acordada?
- Não, esperando o
despertador. Trás meu café.
- Entrou na igreja e pediu perdão pelo seu ateísmo.
Adorei, Ana.
ResponderExcluirUm texto que começa no presente e nos leva para o passado.
Acho que conseguiu casar bem os microcontos numa história que começa pelo fim e a gente já sabe que terá um final de alívio por ainda estar viva. :)
Super beijo
Isa
Que legal que gostou Isa!!!
ExcluirEu achei que estava meio confuso essa coisa de presente e passado...
Beijos, Ana