este blog é destinado para as alunas publicarem os textos produzidos ao longo das aulas do Grupo de Escrita. neste espaço, todas as alunas podem comentar, sugerir e compartilhar, a fim de promover um espaço de troca e treino através da leitura e da interação :)
Natália Curado - Julho 2020
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EPÍGRAFE
depois de um tempo foram felizes por mais um tempo.
HISTÓRIA PARA BOI DORMIR
ele disse que ia mudar. mais uma vez peguei no sono.
O tempo tá passando. Claro que tá, ele nunca para. Qual o problema de escrever tá em vez de está? Em vez em vez de ao invés ? Disperso o olhar. E se eu não conseguir? No final sempre sai alguma coisa. Não faz o menor sentido essas pausas pra esperar o pensamento. Pra ou para? Acho que nem da pra fazer isso de não pensar. Dizem que quando se medita a cabeça fica vazia. Duvido. Tomara que ninguém entre agora. Será que toda música que da vontade de chorar revela um pouco das feridas abertas? Eles dizem que música triste deprime. E daí? Porque as pessoas têm tanto medo de mostrar que estão tristes? Eu, inclusive. Quem tá atento percebe? Passo desapercebida. Entraram no quarto. Tomara que fique em silêncio. Um homem não me define, minha casa não me define, minha carne não me define, eu sou meu próprio lar… essa música. Essa música . Um homem não me define, minha casa não me define, minha carne não me define, eu sou meu próprio lar… refrão de música deve existir pra ...
O cheiro do verniz me sufoca. Sinto na língua um gosto de piscina, de infância. Das tardes na água quente, rodando de um lado para o outro, metade ódio, metade diversão. Sempre odiei muito, desde muito pequena. Odiava o que era imposto, o que vinha do medo, o que não era explicado. Minha mãe sempre teve muito medo. Ela sempre explicou muito pouco. Será que é porque isso que eu quero tanto assim saber sem de fato querer saber? Saber dá medo. Ela me deu pouco. Me dizem que preciso mergulhar, olhar para o espelho, cavar o pus. Não sei se quero fazer a pergunta que pode me libertar. Mas me libertar de quê? Tá tão quentinho aqui. Minha analista me pergunta o que eu escrevo, já que digo que não tenho nada a dizer. Calo. Não sei do que escrevo. Mas me sinto convocada a falar do sangue. Hoje. Do sangue que escorre das peles puxadas dos dedos, que nunca falei em análise por sei lá que motivo. Porque se falaria das peles puxadas? Porque se falaria dos alfinetes que cortam, das unhas e dos remédi...
Margaria esperou por muito tempo naquele dia. Desde a hora que acordou ela esperava. Não se deu conta quando o sol se pôs, quando a cidade se apagou ou quando a chuva começou a cair. Era inverno e o frio doía na pele magra e pouco aquecida mas ela não ligava. Passou o dia pulando o olhar do relógio de parede para aquela janela principal. Esperar pode parecer um momento de calmaria, mas naquele momento significava agitação, coração acelerado, aperto no peito e frio na barriga. Uma verdadeira tsunami, nada de mar calmo. As vezes ela alternava o olhar fixo com andanças de um lado para o outro, o barulho do salto na madeira parecia sincronizado com o compasso do relógio. "Tic tac, toc toc, Tic ta...
Estou sem palavras, Natália.
ResponderExcluirMe fez viajar em todos eles. O pensamento foi e foi até difícil de voltar. ahahha
amei todos! Mas o meu preferido é o Jogo de Azar.
Beijo
Isa :)
Incrível, Natália! Escrita certeira, hein? Amei "Epígrafe"!
ResponderExcluirBeijo,
Clara
amei "epígrafe!"!!!
ResponderExcluirbjs
Tainá K
Adorei Natália!
ResponderExcluirMeu preferido tb é Epígrafe...fofo :)
Ana Trindade