Ana Trindade - 07.agosto.2020 -
Sentei....finalmente. Há dias penso em fazer isso. Sentar e
escrever. Mas falta coragem. Acho que vou fazer tudo errado. Mas ordem é ordem,
e eu cumpro ordens. Volta aqui mente, o assunto era coragem. Aliás, me falta coragem para quase
tudo. Preciso de ajuda. Desejo ajuda. Estou a procura de mim. Onde foi que me
perdi? Terá sido aos quatro anos, como teimo em tratar quando faço terapia?
Engraçado, é que apesar da falta de memórias, na sessão de ontem. Lembrei de
mim aos quatro anos. E no final, relacionei com o acidente da minha mãe quando
ela tinha quatro anos. Hoje falei com a filha que sentia sua falta quando tinha
4 anos. Como eram lindos seus cachinhos dourados. Que vazio...
Estou com essa mania de fazer associações relacionadas ao destino ou a coisas
do sobrenatural. Ridículo isso. Deve ser pq o mundo diz que tudo se resolve com
fé. Bem que eu gostaria...mas é como li certa vez, " Fé é um dom, e eu não
fui agraciada com ele”
Minha mente está parada! Saudade é meu
nome....e uma tristeza enorme me toma de jeito. Lágrimas escorrem. E eu já nem
sei do que sinto saudade. Dos filhos, com certeza. Mas não só desses de agora.
Quero minhas criancinhas. Com eles a vida fazia sentido. Para eles era minha
vida. Agora não quero mais vida.
Viver é tão cansativo. Vontade de escrever para eles e dizer do meu amor. Falar da minha dor. Dor que é física também. Também não. Principalmente. Aliás só quero
falar disso, e ninguém me ouve. Sou uma chata! Sem assuntos, sem interesses,
sem vida própria. Ah...você tá deprimida. É a quarentena. Todos estão assim.
Ei, eu não. Já estava assim antes e não tinha quarentena.
Deixei-me levar ao psiquiatra. Tomei remédios. Nada adiantou. Ao contrário.
Parei. Odeio remédios.
Gente, não é que distraí e a dor sumiu? Mas já voltou. Também, estou naquela
posição confortável.
Me lembrei: a palavra do momento é “sair da zona de conforto” . Pergunta: Pra
que? Se tudo que já quis fazer , eu fiz. Ora, ora. Dá licença. Quero ser
cuidada. Mais amada...muito mais. Sempre fui de extremos, não me conformo com
pouco. Desejo felicidade o tempo inteiro.
Já devia ter crescido. Entender que isso não existe, eu já entendi. No meu
racional. Mas eu sou coração. Um coração infantil que vive de se recolher em
sonhos. Deve ser por isso que gosto tanto de filmes e livros. Me imagino nas
histórias. Me faço de personagem. Sou um personagem. Faço um personagem. Visto
o sorriso feliz e sigo vivendo. Dizendo: Vai menina. Tem jeito não. A dor é sua
, não é de ninguém. Pq como dizem as crianças, a minha terapeuta e também minha
melhor amiga. No final sou eu comigo mesma e vou sobrevivendo. Mas a vida não pode ser
sobreviver. Tem que ser sobre o viver. Tem que ser o viver!
Onde eu perdi essa vontade de viver? Vou procurar um coach . Outra palavra modinha. Imagina: Alguém vai te ensinar a ser
feliz...nessas horas até esqueço a tristeza e dou um sorrisinho de lado. Triimmmm
. Reloginho.
Ana, que maravilhoso isso!
ResponderExcluirQuantas pensamentos me tocaram no seu fluxo de consciência:
1) "Estou a procura de mim. Onde foi que me perdi?"
2) "Deve ser pq o mundo diz que tudo se resolve com fé. Bem que eu gostaria...mas é como li certa vez, " Fé é um dom, e eu não fui agraciada com ele”"
3) "eu já nem sei do que sinto saudade."
4) "Aliás só quero falar disso, e ninguém me ouve. Sou uma chata!"
5) "Odeio remédios."
6) "Desejo felicidade o tempo inteiro."
7) "Mas eu sou coração. Um coração infantil que vive de se recolher em sonhos."
8) "Onde eu perdi essa vontade de viver?"
[...]
Fiquei com vontade de estar aí sentada ao seu lado pra vc poder compartilhar todos esses pensamentos comigo. Adoraria conversar horas e horas sobre todos.
Muito bom!!
Que fofi!!!!
ExcluirSó queria saber quem escreveu...rs
hahaha esqueci de assinar de novo. :(
ExcluirBeijo
Isa
Ana, querida, QUE TEXTO!
ResponderExcluirpelo que você comentou em aula, imaginei que não quisesse publicar aqui e lá vem você, corajosa que só. fiquei muito orgulhosa. parabéns!
uma coisa que reparei: como sua escrita flui mais quando você (ao mesmo tenta) não se amarra demais para fazer sentido, para que gostem de você, para qnão ser julgada.
assim como comentei com a Isa, acho que pode rolar uma "limpa" em trechos que mais parecem ser uma explicação da conexão de ideias. um exemplo rápido, só para me fazer entender:
- "Ridículo isso. Deve ser pq o mundo diz que tudo se resolve com fé. Bem que eu gostaria...mas é como li certa vez, 'Fé é um dom, e eu não fui agraciada com ele'."
- "Ridículo isso. Bobagem de que tudo se resolve com fé. Bem que eu gostaria. Aquilo que li volta o tempo todo. Não adianta, não tenho o dom."
percebe como mudando uma coisa ou outra, já faz uma diferença? isso porque você não está explicando demais, porque você sabe de si mesma e não se explica para si mesma. as coisas são como são, entenda quem entender.
adorei a vulnerabilidade no seu texto. "Sou uma chata! Sem assuntos, sem interesses, sem vida própria. Ah...você tá deprimida. É a quarentena. Todos estão assim. Ei, eu não. Já estava assim antes e não tinha quarentena." isso, além de corajoso é uma ferramenta de conexão fortíssima com quem lê, pois somos imperfeitos. a gente admira e almeja pessoas "evoluídas", "sábias", "perfeitas", mas o que conecta MESMO é a imperfeição. é como se firmasse um pacto entre quem escreve e quem lê: sim, somos assim, somos chatos. estamos tentando resolver e tem dias que nem isso, paciência. portando, adorei! quando quiser escrever mais textos assim, não deixe isso se perder.
PS: sinalizei a mesma coisa para a Isa. seu texto na verdade me parece um monólogo interno. é diferente de um fluxo de consciência. e tudo bem, pois deixei essa distinção para depois propositalmente. só trataremos da diferença entre eles na aula de hoje (e não existe resposta certa para isso, tá? vamos conhecer os conceitos e tirarmos nossas próprias conclusões).
um beijo com carinho,
Tayná