ISABELA IESSI - AGOSTO/2020 (Fluxo de consciência)
Sentei na mesa da cozinha e comecei a ler os comentários da Tayná nos meus textos no blog. Fico tão contente quando ela fala sobre a minha dedicação e mais que isso, sobre a evolução da minha escrita.
Também percebo que evoluí. Não sei quanto mais tenho pela frente, mas também não me incomoda tanto no momento. Acho que me importo mais com a caminhada.
Preciso de 25 minutos sem interrupções, ela disse. Caramba. Onde eu vou arrumar isso? Na minha cabeça e no meu tempo? Agora tô aqui tentando achar esse tempo e escrever algo que exponha o meu fluxo de consciência. Já tentei apagar algumas frases, viu? Quase ri alto nesse momento. Tentando falar comigo e com a Tayna ao mesmo tempo. Imaginei a expressão facial dela.
“Fique tranquila. Eu tentei, mas logo dei um clique no voltar”. Sei que essa não é a proposta do exercício. Então, prometo seguí-lo direitinho.
Parece que quando a gente senta pra escrever algo e tenta vigiar ou capturar os pensamentos é quando, pela primeira vez, a mente fica vazia, né? Tô aqui pensando que preciso pensar, pensar, pensar. “Poxa, pensa em algo legal aí. Deixa eu colocar no papel.”
Bloqueio. Só escuto o tic-tac do relógio. 10:49 a.m., como dizem os norte americanos. A Tayná disse isso na última aula e eu achei o máximo. Exatamente o que eu penso. Sinto meu rosto ficar vermelho e quente quando escuto nas propagandas: “THIS IS AMERICA”. Come on!
Um dia desses, antes dessa pandemia maldita, saímos com um casal amigo nosso e meu marido comentou que meus sogros viriam nos visitar em agosto desse ano. E a Trichya perguntou se os pais dele já conheciam a America. Voltamos rindo no carro. Como assim? A vontade era dizer “Então, eles nasceram na America.” Bizarro.
Não sabemos que tipo de lavagem cerebral eles sofrem, mas é possível ver na TV que eles conhecem muito pouco do mundo. Quase nenhum programa ou jornal fala sobre outros países. Muitos americanos que conversamos não tem nem passaporte. Fico pensando como hoje em dia podem existir pessoas tão conformadas em conhecer somente seu próprio mundo.
Ouso a comparar os americanos com o chineses, que também são super bairristas, mas ao menos viajam bastante. Nossa, e como viajam. Na Europa é quase impossível visitar uma cidade turística que não tenha um grupo de chineses. Um grupo enorme pra ser mais exata.
Nossa, e como eles não se incomodam de esbarrar nas pessoas, né? Chineses e dinamarqueses tem isso em comum. Acho que os chineses por não se importar mesmo, os dinamarqueses porque a visão periférica deles não é muito boa. Quase nunca te notam. Um dia eu cansei de desviar. Era cada ombrada.
Adorei!!! De uma leveza única. Me deu invejinha boa de ter pensamentos tão tranquilos. Seu texto é muito flúido....leve de se ler...eu gosto.
ResponderExcluirBeijos!!!
Ana Trindade
Ahhh sua linda. Obrigada :)
ExcluirNem sempre tenho pensamentos tão tranquilos, viu? Na verdade, a regra que tem sido o oposto disso.
Isa, que legal que você não esperou um "tema" surgir para fazer o exercício. simplesmente sentou e fez dele uma metalinguagem (o exercício em si, a aula, o que foi dito, o tempo... e quando viu: América do Norte, América do Sul, chineses e dinamarqueses, pessoas que esbarram em pessoas... em retrospecto, me trouxe a reflexão do quanto NORTE AMERICANOS também esbarram nos outros, em nós, no resto do mundo, de jeitos multidimensionais... não é mesmo?).
ResponderExcluirtambém gostei que você se permitiu terminar o texto no fim do tempo, sem a pretensão de concluir ou mesmo ter uma lição de moral no final. e representativo que o fim fale sobre "o dia que você cansou de desviar". dá para fazer bons paralelos, né?
o que eu limparia são as "explicações" e as "legendas". você não precisa dizer que pensou e refletiu e que uma coisa te fez lembrar a outra quando estamos falando de ~fluxo de consciência~*** . o texto por si só já exprime isso, entende? exemplo:
- "Muitos americanos que conversamos não tem nem passaporte. Fico pensando como hoje em dia podem existir pessoas tão conformadas em conhecer somente seu próprio mundo."
- "Muitos americanos que conversamos não tem nem passaporte. Povo conformado em conhecer somente seu próprio mundo inventado, plástico, fast food".
percebe? é sutil, mas tira as sobras do texto e abre espaço para os pensamentos, de fato: nu e cru.
*** sinalizei "fluxo de consciência" pois seu texto na verdade me parece um monólogo interno. e tudo bem, pois só trataremos da diferença entre eles na aula de hoje (e não existe resposta certa para isso).
um beijo com carinho e até,
Tayná