Ana Trindade - Outubro/2020 - Crônicas de Infância - Corrigido
AS MINHA PAQUETAS
Quando a Dinda me convidou para irmos a roda de samba que
acontecia em Paqueta, no restaurante de Cristina Buarque, logo me lembrei das
férias que passamos lá quando eu tinha oito anos.
Já na barca começou a cantoria. Cavaquinhos, atabaques, pandeiros e afins
entoavam sambas antigos com melodias e letras que nos davam vontade de
cantarolar juntos. Que delícia “ O feche da polícia pelo telefone...” “ Meu bem
perdoa, perdoa meu coração pecador...” “ Vou festejar, vou festejar...o teu
sofrer, o teu penar “ , ainda me lembro das músicas.
Mas nada de nostalgia, que o samba estava ótimo, e enquanto cantávamos, saboreávamos os pasteizinhos de camarão que vieram antes da deliciosa moqueca de peixe. Eita vida boa.
Finda a roda de samba, as pessoas começam a se dispersar. Minha madrinha então propôs um passeio pela ilha. Caminhar? Nem pensar! Ecotáxi! E fomos nós passeando pela ilha com direito a guia e parada para fotos nos principais pontos turísticos. Caramanchão dos Tamóis, Praça São Roque, Casa da Artes, Pedra da Moreninha. Sim, aquela mesmo do livro de Joaquim Manuel de Macedo e que depois virou novela. Mas foi a parada em frente ao Baobá Maria Gorda, árvore de origem africana. Segundo reza lenda, quem a beija e respeita tem sorte por longo prazo. E foi neste momento que a nostalgia se instalou e voltei a ter oito anos.
Fomos passar as férias na já costumeira casa que ficava ao lado do Baoba. Nestas férias me lembro da Dinda, seu filho e meu primo Caio e Ivana, também afilhada da Dinda e minha prima de consideração. Eu sempre tive pouca memória, nas vagas lembranças uma é sairmos as duas correndo de casa após o almoço e mergulharmos nas aguas da baia e de alguém gritando que isso fazia mal para a saúde. Essas crendices, como tomar leite com manga era morte certa.
Em meio a toda alegria eis que um belo dia estávamos eu e Ivana brincando quando de repente, e o motivo é lógico, que não recordo, começamos a brigar. Eu, um ano mais velha e bem maior de tamanho, parecia que ganharia fácil, mas qual. Do nada a prima começou a cravar suas unhas em mim. Me aranhando primeiros os braços com tanta fúria, que apavorada vi que sangravam. Ela então partiu para cima do meu rosto com os mesmo fortes aranhões . Devido aos gritos surgiu algum parente para nos separar. Levadas para casa, após uma bronca ficou decidido que o castigo seria o fim das férias. Não me lembro da volta nas barcas, somente do rosto de espanto de minha mãe ao me ver toda arranhada.
- Como você deixa isso acontecer Ana Lúcia?
- Não tenho unhas , disse eu quase chorando.
De minha mãe, ao invés do desejado colo, ouvi com seu desdém, sempre tão peculiar.
- Não acha que já é hora de parar de roer as unhas?
Amei o texto, uma leveza! O final então é ótimo!
ResponderExcluirObrigada Lilian! Louca para ver o seu !!! :)
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