ISABELA IESSI - OUTUBRO/2020 (Palavra semente)
Fiquei pensando no que me levou a escrever esse texto. Recentemente li o livro da Aline Bei - "O peso do pássaro morto" e achei muito muito triste. Talvez tenha sido influenciada a pensar tanto sobre o tema.
Palavra semente: TRANSBORDAR.
Transporto
Ruas e
Avenidas
Nuances
Solitárias
Bons dias
Ordinários e
Reais
Diante de um
Amanhã em
Ruína
DOR DA SOLIDÃO
Ela passava pelas mesmas ruas e avenidas. Ao som ensurdecedor do trânsito de São Paulo se perguntava
se o que estava acontecendo era real. Tinha a sensação de que aquilo acontecia frequentemente. No
entanto, era o dia em que mais precisava dos bons-dias ordinários, e não teve respostas. Olhou para o céu
e as nuvens pareciam dançar ao som de uma valsa, cada vez mais rápido. A dor aguda no meio do peito
foi acompanhada pela pouca quantidade de ar poluído que chegava em seus pulmões. Era diferente das
que já havia sentido. As outras dores tinham se tornado habituais dentre as mais diversas nuances
solitárias que a vida entregava. Naquele momento, sua memória não rebobinou fatos como nos filmes
mais dramáticos que assistiu. Não se lembrou da família, de amigos ou das últimas férias. Só
existia o medo de estar sozinha. E estava. E não a surpreendeu. As pessoas demoraram para notá-la.
Caída. Mesmo com os olhos abertos, conhecia aquela escuridão de outro plano. O som da sirene ficou
mais distante. O amanhã se tornou cada vez mais cinza, escuro e turvo.
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