Verrugas Voadoras / Exercício do binômio-fantástico
Exercício do binômio-fantástico
Palavras sorteadas: batuque / tomada / verruga/ olhar
Palavras escolhidas: verruga / olhar (mas acabei usando tomada também)
VERRUGAS VOADORAS
Foi no aeroporto que Felipe viu pela primeira vez. Levantado pela mãe para dar um beijinho na tia-avó que acabara de chegar, recuou assustado: - mãe, o rosto da tia Leila tá sujo!! Constrangimentos adultos surgiram com a explicação de que aquilo era um sinalzinho chamado verruga, não era sujo não, era limpinho. Mas ele não conseguia parar de olhar fixamente para o objeto no rosto da tia, que dava a impressão de crescer. Quanto mais olhava mais a coisa crescia , a ponto de perder a forma arredondada, como se estivesse prestes a saltar do rosto e ganhar vida própria. Parecia reconhecer nas reentrâncias daquela massa de peles enrugadas dois olhos, um nariz e uma boca. Sentiu um friozinho na barriga de pensar que o tumor bolorento poderia estar se destacando do rosto da tia para vir em sua direção, imaginava aquela bolota asquerosa voando com uma capa pelo espaço e convocando outras verruguinhas e verrugonas verruguentas, logo estaria cercado pelo exército voador inimigo, encurralado para que sementes fossem lançadas sobre toda a pele do seu corpo por uma arma pulverizadora que cada alienígena trazia sob as peles porosas. Pediu para a mãe o casaco, que vestiu apressado, colocando o capuz, quem sabe assim conseguiria livrar ao menos o tronco, os braços e a cabeça do ataque fulminante. Mãos nos bolsos, congelou ao lembrar de que o rosto e as pernas estavam expostos. Quase que em pânico, elaborou em segundos uma bateria antiaérea invisível, composta de vibrações de pensamentos imaginados, as partes descobertas de seu corpo emitiriam ondas e radiações que afastariam as verrugas voadoras, como aqueles inseticidas de tomada fazem. Em meio ao combate, sentiu um puxão na sua mão, era a mãe que se deslocava para o estacionamento rebocando malas, tia Leila e ele! Sentiu-se outra vez levantado, dessa vez para dentro do carro: estava salvo! Ali os seres verrugosos não entrariam. Olhou para tia Leila que estava no banco do carona lá estava a verruga de volta ao seu tamanho de origem, desarmada, vencida e presa àquela bochecha que não era a sua. Foi salvo pela sua mãe, afinal as mães sempre sabem quando os filhos estão em perigo.
Comentários
Postar um comentário