Liberdade, liberdade, abre as asas sobre mim - Exercício Aula de Conto - 13/12/2020
Liberdade, liberdade, abre as asas
sobre mim.
Era noite de Natal e como fazíamos desde
o casamento fomos para a casa de seus pais. Fomos não, fui. Você me disse de
manhã, logo cedinho que precisava ir a empresa.
Dia de Natal ?!?!
Um cliente está tendo problemas e
precisamos fazer o acesso remoto para lhe dar suporte
Deveria ter lhe perguntado por que
não fazia de casa, mas me calei. Nos dias atuais me cansa tentar um diálogo com
você.
A casa respirava o clima natalino,
desde a decoração repleta de carinho e
afeto. Na enorme árvore enfeitada com bolas e pisca-pisca depositei junto aos
que lá estavam nossos presentes. O
cheiro do pernil saia do forno e preenchia minhas narinas. Sua grande família
estava toda lá. Alegres e divertidos como sempre. Sempre gostei dessa alegria. A medida
em que iam chegando, todos me perguntavam
sobre você, sobre nos e como sempre,
sobre o bebê que ainda não chegara. Afinal, éramos o casal que todos
consideravam perfeito. Nós mesmos achávamos
isso há quatro anos atrás.
Minha memória retorna aos primeiros
anos do casamento onde tudo era intenso e vigoroso. Principalmente o sexo.
Sempre considerei o sexo parte muito significativa de uma união. Nosso sexo era
um bailar de sensações, fluídos e gemidos. Quando sua boca percorria meu corpo
eu sentia os fogos de Ano Novo estourarem. Passávamos horas na cama apenas nos amando. Nos alimentávamos de nós. Nosso beijo molhado e línguas
se entrelaçando me faziam sentir o quanto nossas bocas se combinavam. Assistíamos
filmes pornôs e feito crianças travessas, imitámos posições e fantasiamos
histórias, as mais loucas que vivi. Exaustos, não dormíamos. Na ânsia do viver
o prazer, íamos ao banho, em busca de revitalização. Dentro do chuveiro, com a
água morna caindo sobre nós, iniciávamos nosso enlace. Nossas mãos e pernas e
corpos se tocavam, se enroscavam, se acariciavam até encontrarmos a posição
para nos comermos num banquete de sons, cheiros e gozos que pareciam nunca ter
fim.
Já não me lembro onde parei com
esse sentir, e sinceramente, não me importo.
Desejo mesmo é que você chegue logo e eu possa nos dar nosso presente de Noel.
O mesmo presente. Dito em baixo e bom tom.
Quero me separar. Não te amo mais!
Comentários
Postar um comentário