Postagens

ISABELA IESSI - OUTUBRO/2020 (Palavra semente)

Fiquei pensando no que me levou a escrever esse texto. Recentemente li o livro da Aline Bei - "O peso do pássaro morto" e achei muito muito triste. Talvez tenha sido influenciada a pensar tanto sobre o tema.  Palavra semente: TRANSBORDAR. Transporto Ruas e Avenidas Nuances Solitárias Bons dias Ordinários e Reais Diante de um Amanhã em Ruína DOR DA SOLIDÃO Ela passava pelas mesmas ruas e avenidas. Ao som ensurdecedor do trânsito de São Paulo  se  perguntava  se o que estava acontecendo era real. Tinha a sensação de que aquilo acontecia frequentemente .  No  entanto,  era o dia em que mais precisava dos bons-dias  ordinários, e  não teve respostas. Olhou  para o céu  e  as  nuvens pareciam dançar ao som de uma valsa, cada  vez mais  rápido. A dor aguda no meio  do peito  foi acompanhada pela pouca quantidade de ar poluído que chegava em  seus  pulmões. Era diferente das  que já havia sentid...
 Exercício de crônica CACOS DA INFÂNCIA Primeira publicação no blog, sou nova no grupo.   O tema proposto me intimida, meus arquivos da infância são densos, solitários e a crônica não é o melhor formato para se sofrer. Passo a chave nos pensamentos para não revisitar o passado.   Não farei o primeiro exercício. Decisão tomada e uma imagem vermelha pipoca na minha mente sem parar, enfiando o pé na porta e pedindo atenção: um piso de cacos de cerâmica. Sei de onde ele era, do pilotis do prédio onde morei na infância, área de brincadeira das crianças. Essa lembrança traz com ela, de mãos dadas , a do play do prédio de uma amiga, do outro lado da rua. Imagens de uma espécie de geografia da felicidade infantil abrem o trinco do texto. Se uma crônica fosse desenhada e pintada tudo estaria resolvido por aqui mesmo.  Na minha infância, cacos de cerâmica quebrada eram um material resistente e de baixo custo muito usado em quintais, varandas e áreas abertas.  Eram em ...

Crônica Outubro 2020

  Quem com bullying é ferido, com ele fará análise Porque nenhum coaching é capaz de ressignificar os traumas da escola e adolescência.               Quem viveu nos anos 90 sabe que a pedagogia era bem diferente da de hoje. Ainda perguntam porque todos os jovens da geração Y estão lotando os consultórios de psicanálise. A união de faça o que você quiser e dará certo, nunca vi frase mais frustrante com a pedagogia repressora dessa época criou uma geração mimada e sem auto estima nenhuma. Que delicia fazer parte disso! Nem se sonhava com disciplina positiva e com o mal que o suco de laranja e seu excesso de açúcar eram capazes de gerar. Isso porque eu nem citei as mamadeiras de coca-cola! Para explicitar melhor farei um compilado de casos auto expositores. Teve uma professora no jardim de infância que resolveu fazer uma gincana. No mesmo momento pensei: “oba teremos brindes”, estilo os saquinhos de festa. Começaram a...

Ana Trindade / Texto a partir de uma palavra

EM BUSCA DO TEMPO  SONO Somente Ontem Notei o Outono   Foi a brisa amena   que a despertou do sono  naquela tarde nublada, notei que ali se iniciava uma sessão de devaneios aos quais   já éramos   acostumados. Eu sempre tive dificuldade com o tempo. Sei lá, me perco. Porque nunca compreendi muito bem essas histórias de vai e volta no tempo?   Por que tenho que rever o filme várias vezes até compreender? Hoje acordei com a impressão que o tempo está passando mais rápido. Existem teorias sobre essa temática. Estou totalmente de acordo. Não sei onde me perdi. Não sei em que mês estamos, que dia é hoje. Ela que sempre fora apegada ao tempo, se sentia perdida. Somente você querida?  Imagina o resto do mundo. Mas é muito tola essa moça. Ou então precisa somente de ajuda. E eu sou do tipo que desejo ajudar. Olha querida, basta pegar um calendário. Eu,   pela brisa suave.   Pelo sol gostoso que nos aquecia quando estávamos...

Ana Trindade - Outubro/2020 - Crônicas de Infância - Corrigido

AS MINHA PAQUETAS Quando a Dinda me convidou para irmos a roda de samba que acontecia em Paqueta, no restaurante de Cristina Buarque, logo me lembrei das férias que passamos lá quando eu tinha oito anos. Já na barca começou a cantoria. Cavaquinhos, atabaques, pandeiros e afins entoavam sambas antigos com melodias e letras que nos davam vontade de cantarolar juntos. Que delícia “ O feche da polícia pelo telefone...” “ Meu bem perdoa, perdoa meu coração pecador...” “ Vou festejar, vou festejar...o teu sofrer, o teu penar “ , ainda me lembro das músicas. Na  chegada, já notei a diferença. Charretes com cavalos da minha infância  já não existiam, foram substituídas por carrinhos elétricos onde cabiam até 8 pessoas. A esquerda, a feirinha com artesanato local. Estacionados na rua, umas bicicletas com cabine onde cabiam duas pessoas. Soube depois que eram chamadas Ecotáxi , pois a única energia que utilizavam era o esforço do pedalar dos motoristas.  No caminhar até o pequ...

ISABELA IESSI - SETEMBRO/2020 (Crônica da infância)

UM CATADO DE UMA PARTICIPAÇÃO ÍNFIMA Revisitando memórias, enquanto criança, não me lembro dela. Demorei para perceber que sua participação foi ínfima durante meu crescimento. Isso explica suas inúmeras tentativas de aproximação? Não sei. Difícil não cobrá-la por isso. Não lembro da sua voz. Era doce ou grosseira? Tinha resquícios dos maços de cigarro que fumava? Me esqueci ou quase não se dirigia a mim? Tentava? Apesar da solidão costumeira, esperava ansiosamente que me deixasse com a faxineira. Assim, eu tinha a liberdade de escalar o portão construído pelo papai no quintal. Este, tentava me separar da minha grande paixão. A Paquita, era nossa cachorra, uma pastor belga, que supria a falta que eu sentia de uma mãe. Encontrava refúgio em sua casinha. Entre cheiro de urina, fezes e chumaços de pêlos pretos, que eram a causa da minha bronquite, permanecíamos horas conversando sobre meus tantos amigos imaginários. Ela, atenta, me ouvia. Algo que eu almejo que o façam até hoje. Quando che...

Natália Curado - Crônica da infância

crescer leva tempo na infância, eu ainda me lembro, a vida é simples. crescer leva tempo e alguns centímetros marcados a lápis na parede anualmente pela mamãe. os pequenos sabem bem. juntar os pés, estufar o peito, erguer a cabeça. o ritual para descobrir a idade em que se chega à altura dos sonhos é inconfundível. apesar da resposta não ser exata. ainda assim o risco entre calçar os sapatos do pai e se sentir invencível e tirar as rodinhas da bicicleta e não ter os joelhos ralados nos faz continuar. e então caímos e levantamos mais um bocado de vezes. e choramos e depois sorrimos. e perdemos o medo do escuro e apagamos a luz do corredor. e ganhamos mais um irmão, e brigamos para não ir sentado no meio naquela longa viagem de carro para bahia, e só fazemos as pazes porque o pai mandou. e passamos as férias à contragosto na casa da tia, e implicamos com os primos, e viramos melhores amigos. e vamos ao cinema sozinhos, e dividimos a pipoca e anos depois o primeiro trago. e um dia chegamo...